7 desastres que podem arruinar a ceia de Natal: como evitá-los

Por Marcos Nogueira
“Mas tava baratinho…” Além da azia, servir vinho vagabundo na ceia de Natal interfere no seu carma
  1. O peru/pernil não cabe no forno

 

Seu problema é esse? Você deveria considerar seriamente a hipótese de parar de dirigir e de operar máquinas que possam colocar em risco a integridade física dos outros.

Ceia de Natal não é piquenique, que você resolve com uma passada na padaria. Ela exige planejamento. Antes de ir às compras, procure saber o número de convidados e dedique algum tempo para pensar no cardápio. A refeição deve respeitar suas limitações de tempo, espaço, disposição, equipamento e, por que não?, talento culinário. O Natal não é hora de aventuras na cozinha – trabalhe em terreno conhecido, sempre com alguma folga para imprevistos.

Mas essa ladainha não resolve o problema do peru grande demais.

Se não quiser perder a comida, a única solução possível é cortar a ave em pedaços (no caso do pernil, desossá-lo). Aí você decide se mantém o bichão na ceia – tem gente que gosta de servir animais inteiros por causa da aparência… eu não ligo a mínima – ou se parte para um plano B mais simples, como um lombo de porco.

 

  1. Percebi que não dá mais tempo de descongelar o peruzão

 

Ainda a falta de planejamento…

Para descongelar o peru (ou pernil ou frango ou qualquer outra carne), você deve deixá-lo na geladeira. Isso minimiza o risco de contaminação, mas toma bastante tempo: 12 horas por quilo de carne. Faça as contas antes de comprar a comida.

Se você deixou as compras para a última hora, ainda lhe restam duas opções. Se a peça couber no micro-ondas, descongele-a de acordo com as especificações do aparelho (a potência dos fornos varia muito).

Ou então comece a assar o peru ainda congelado. Ajuste o forno para a temperatura mínima e deixe a ave lá até ser possível remover o saco plástico com os miúdos (pelamordedeus, não vá esquecê-lo lá dentro!). Volte o peru ao forno e, se for aplicar tempero caseiro, deixe-o lá até o exterior descongelar totalmente. Tempere o bicho e asse normalmente.

 

  1. A geladeira não dá conta de tanta comida e tanta bebida

 

Problema muito comum de fim de ano. Noite de Natal com o termômetro nos 30 graus, e a geladeira entupida de comida e cerveja quente. Se não bastasse, o povo não para de abrir a porta da geladeira para pegar isso ou aquilo.

Gelo é a solução. Se perceber que a geladeira está ficando sobrecarregada, providencie um cooler com gelo para as bebidas e as comidinhas que precisam estar à mão na preparação da ceia. Mas pense nisso antes de fechar o mercado.

 

  1. O vinho da promoção não está fazendo sucesso

 

Quando você vai aprender que não vale a pena comprar o prosecco de R$ 29,90 do empório da esquina? Lambrusco? Fala sério.

Siga uma regra simples: não sirva nada que você mesmo(a) não beberia em outra ocasião. Se você bebe qualquer lixo, peça conselhos a quem entende um pouco de bebida. Espumantes nacionais são uma aposta certeira. E não caia na armadilha do “cada um leva a própria bebida”. As pessoas sempre calculam por baixo a própria sede. Vai faltar bebida, e você não tem mais onde comprá-la.

 

  1. A noiva do Enzo é vegana. E você pôs bacon até no arroz.

 

Ah, os distúrbios alimentares de cada família… Fulaninho não come passas, sicraninha é vegetariana. Por mais chato que isso seja, é preciso lidar diplomaticamente com a situação.

Se você recebe e cozinha a ceia, sua decisão é soberana. Mas não deixe o voluntarismo do cozinheiro estragar a festa. Faça uma pequena enquete sobre o cardápio no grupo de whatsapp da família – quem não tem um? – e respeite, dentro das possibilidades, os pedidos dos parentes.

Independentemente do resultado da enquete, assegure-se de que o cardápio da ceia terá: a) um prato vegetariano (sugiro uma salada de grãos e legumes, fresca e substanciosa); b) uma carne sem tempero agridoce e; c) um acompanhamento sem passas nem outras frutas secas. Assim você se protege contra 87% das frescuras à mesa.

 

  1. A tia de Votuporanga trouxe de novo aquela maionese “fresquinha, feita com os ovos que a galinha pôs hoje de manhã”.

 

Fique longe disso, por favor.

Natal é festa, e por isso mesmo as pessoas acabam relaxando com cuidados básicos. Durante o preparo da ceia, a cozinha é um ambiente quente, com forno ligado, por onde passam todos os bêbados e crianças da família, cada um enfiando a mão imunda num pote de comida sobre o balcão. Evite qualquer coisa que possa resultar em intoxicação alimentar. Ovos crus estão no topo da lista negra.

 

  1. O peito de peru ficou seco e com gosto de papelão

 

Mas quem mandou fazer o maldito peru? Todos sabemos que a carne do peito é seca, dura e sem gosto – esse é um drama que se repete todo Natal, mas a gente nunca aprende.

O problema do peru – e de toda ave, aliás – é a diferença no tempo de preparo do peito e das coxas. O peito fica pronto muito mais rápido. Quando a coxa está no ponto, ele já ressecou. Uma solução é desmembrar o bichão e perder a infinita graça da ave inteira sobre a mesa. Outra, um tanto paliativa, é proteger o peito com papel alumínio, bacon ou outra gordura. Funciona mais ou menos.

No fim, o peito de peru acaba sendo seco como quase tudo à mesa da ceia. Pense no cardápio: lombo, arroz, farofa, castanhas… Será que é para evocar a viagem de José e Maria pelo deserto da Jordânia? Ninguém merece. E haja vinho.

Coloque um pouco de líquido na equação. Prepare um molho para a carne – irremediavelmente ressecada, deixe para lá. Quando você compra o peru/frango, dentro dele costuma vir um saquinho com o pescoço, a cabeça, os pés e os miúdos. Faça um caldo com isso, depois use-o para raspar o fundo da assadeira, tempere e engrosse com um pouco de maisena. É o que os americanos chamam de “gravy”.