Arroz com feijão na ceia pode? Pode!

Por Marcos Nogueira
moros y cristianos
“Moros y cristianos”, arroz com feijão à cubana, é comum na cedia natalina da ilha caribenha

Quando publiquei em meu Facebook pessoal o post sobre os 7 desastres que podem arruinar a ceia, uma amiga comentou (a respeito do caráter seco das comidas natalinas):

“Acho que falta feijão para dar a liga.”

Minha resposta:

“Concordo, mas preciso pagar de gourmet em público.”

Na realidade, uma vez eu convenci minha mãe a fazer feijão no jantar do dia 24. O desgosto das minhas duas irmãs mais velhas foi tão enfático que eu – então o adolescente residente na casa parental – nunca mais tive coragem de fazer pedido semelhante.

Nunca entendi por que, numa ocasião especial, você precisa comer algo inferior ao almoço do dia-a-dia. Essa era (e ainda é, considerando a execução tosca da maioria dos perus e frangões) a minha opinião sobre o cardápio natalino brasileiro.

O comentário da minha amiga me deu um clique. Fui pesquisar outras tradições natalinas. Descobri que em Cuba, os “moros y cristianos” – nada além de arroz misturado com feijão, mas com um nome racistão (os cristãos são o arroz branco e os mouros, o feijão preto) – são comida festiva. Lá e em toda a região do Caribe e América central, com nomes que variam.

Neste ano, minha ceia natalina será cubana: pernil marinado em “mojo” (molho de alho e cítricos), “morros y cristianos”, “yuca” (mandioca) e “maduros” (banana-da-terra frita). Melhor que arroz com feijão, só arroz com feijão, mandioca e banana. Depois posto as fotos (a que ilustra este post é uma coisa qualquer com direitos livres).

A moral da história: você não precisa se prender a tradições festivas se não gostar delas. Pode brincar de descobrir outros rituais para justificar uma escolha (como eu fiz) ou simplesmente comer o que quiser na noite de Natal.